building in brazil: caindo na real
A gente consome muito conteúdo de fora.
É muito fácil abrir o Twitter e achar que todo projeto precisa de microsserviços, filas complexas e escala global no dia zero.
Eu já caí nessa armadilha.
Mas quando você senta para conversar com um cliente real aqui no Brasil (seja o dono de uma distribuidora ou uma operação local), a realidade bate na porta.
O cliente não quer saber se você usa Next.js na Vercel ou um PHP legado.
Ele só quer saber de três coisas:
- Funciona no 3G?
- O botão de finalizar o pedido trava?
- Quanto isso vai me custar por mês?
A mudança de chave
Percebi que tentar enfiar metodologias de startups gigantes em negócios tradicionais ou micro-saas só gerava frustração (para mim e para quem pagava).
O mercado brasileiro exige pragmatismo.
Exige entender que a interface mais usada do país ainda é o WhatsApp.
Exige construir sistemas que perdoam erros de digitação e conexões instáveis.
Hoje, minha métrica de sucesso mudou.
Deixou de ser "quão moderna é a minha stack" e passou a ser "quão invisível a tecnologia consegue ser para quem está usando".
Resolver um problema local de forma cirúrgica tem muito mais valor do que desenhar uma solução global que ninguém usa.
Tecnologia "boring" (chata e previsível) é a que mantém os negócios rodando enquanto a gente dorme.